Não fala, não lê, não escreve: Qual é o melhor método para ensinar um aluno atípico?


Quando nos deparamos com um aluno atípico, não verbal e que ainda não foi alfabetizado, a primeira pergunta que surge quase desesperadamente é:
Mas a verdade, muitas vezes esquecida no meio acadêmico, é simples e poderosa: existem muitos métodos, mas o mais eficaz é aquele que se adapta ao que o aluno é.
Para esse perfil de estudante, o "método" deixa de ser uma cartilha rígida e passa a ser uma leitura do indivíduo. Ensinar deixa de ser sobre transmitir conteúdo e passa a ser sobre construir pontes.

Por que os métodos tradicionais falham?

O ensino tradicional é pautado na abstração: letras representam sons, palavras representam coisas, e a fala é o veículo principal. Para um aluno não verbal e não leitor, esse mundo é um código indecifrável.

Insistir que ele "fale" ou "copie do quadro" não é apenas ineficaz; é frustrante. O método eficaz precisa ignorar o que o aluno não consegue fazer (falar, escrever) e focar intensamente no que ele consegue fazer (ver, tocar, sentir, associar).

A prática: O método moldado ao aluno

Para ilustrar como essa adaptação funciona na vida real, vamos analisar duas situações cotidianas onde a flexibilidade do educador muda tudo.

1. A Comunicação: O Exemplo do Lanche

Imagine que o aluno quer um biscoito. Ele não sabe pedir verbalmente e não sabe escrever "biscoito". Se o professor espera uma fala, o aluno chora ou se agita.

Como o método se adapta: Usamos a via visual e concreta. O professor coloca uma foto do biscoito ao alcance do aluno. O ensino aqui é mostrar que: Entregar a foto = Receber o biscoito.
Não há lápis, não há caderno. Há comunicação funcional. O método se curvou à necessidade do aluno de usar imagens como voz.

2. A autonomia: O desafio do banheiro

Ir ao banheiro parece simples, mas envolve uma sequência complexa: baixar a calça, sentar, usar, limpar, levantar, dar descarga, lavar as mãos. Para um aluno atípico, esquecer uma etapa ou ter medo do barulho da descarga pode impedir o uso.

Como o método se adapta: Criamos um "mapa visual". Colamos na parede do banheiro, na altura dos olhos, a sequência exata em figuras. 
  • Se ele tem sensibilidade auditiva, o método flexível permite que ele pule a etapa da descarga (o professor faz depois).
  • O sucesso não é medido por ele fazer igual a todo mundo, mas por ele conseguir usar o banheiro sem acidentes e com o mínimo de estresse.

Os 3 Pilares da Adaptação

Para criar o seu próprio "método" adaptado, baseie-se nestes três princípios:

  1. Do abstrato para o concreto: Se ele não entende a palavra "fome", ele entende o prato de comida. Use objetos reais e fotos.
  2. Do interesse para o aprendizado: Use os hiperfocos (o que ele ama) como porta de entrada. Se ele gosta de dinossauros, vamos contar, separar cores e treinar a atenção usando dinossauros.
  3. Da passividade para a autonomia: O objetivo final não é ele ficar quieto, é ele conseguir fazer coisas sozinho.

Conclusão

Não procure um método que prometa milagres em uma caixa fechada. O melhor método é aquele construído artesanalmente no dia a dia, observando o olhar do aluno, respeitando seu tempo e valorizando suas pequenas vitórias.
Quando o professor se adapta ao aluno, o aluno finalmente encontra espaço para aprender

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