O Mediador Escolar não é "Tapa-Buraco": O grito por uma inclusão real

Você já parou para observar a rotina de um mediador escolar? Em muitas instituições, esse profissional — essencial para o desenvolvimento de alunos neurodivergentes — acabou se tornando o "coringa" da escola. Se um professor falta, chama o mediador. Se o pátio precisa de vigilância, escala o mediador. Se a secretaria está sobrecarregada, o mediador ajuda.

Essa prática tem um nome: Tapa-Buraco Institucional. E o preço dessa improvisação é pago pelo aluno, que tem seu direito à aprendizagem negligenciado.

 

O desvio de função como sintoma

A função do mediador é, por definição, pedagógica. Ele deveria ser a ponte entre o aluno e o conhecimento, traduzindo estímulos, adaptando materiais e favorecendo a autonomia. No entanto, o sistema muitas vezes o utiliza como um agente de contenção.

Quando a escola enxerga o mediador apenas como alguém para "manter o aluno calmo" ou "fora da sala se ele se desorganizar", ela está praticando uma exclusão branca. O aluno está dentro do prédio, mas está fora do processo educativo.

 

Os 3 grandes mitos da mediação "Tapa-Buraco":

  1. "Ele é o mediador DO aluno": Errado. Ele é um mediador escolar. Quando vinculamos o profissional exclusivamente à criança, a escola e o professor regente se sentem "livres" da responsabilidade de ensinar aquele estudante.
  2. "Qualquer um pode mediar, basta ter paciência": Inclusão não se faz com caridade, se faz com técnica. Paciência é virtude, mas mediação exige conhecimento sobre neurodiversidade, análise de comportamento e didática.
  3. "Ele serve para qualquer emergência": Usar o mediador para cobrir buracos administrativos é retirar do aluno o seu suporte de aprendizagem. É uma violação do direito educacional.

 

O caminho para a valorização

Para romper com essa lógica, precisamos de três pilares fundamentais nas nossas escolas:

  • Planejamento Coletivo: O mediador precisa sentar com o professor regente. Sem diálogo, não há mediação, há apenas acompanhamento passivo.
  • Formação Continuada: O mediador não pode ser uma ilha. Ele precisa de suporte técnico e supervisão pedagógica constante.
  • Reconhecimento Profissional: Enquanto o mediador for visto como "ajudante descartável", a inclusão será apenas uma peça de marketing escolar.

 

Conclusão

Precisamos parar de usar pessoas para tapar os buracos de um sistema quebrado. O mediador escolar é um agente de transformação. Quando ele é respeitado em sua função pedagógica, o aluno não apenas "está" na escola — ele pertence e aprende.

E você, como vê a mediação na escola do seu filho ou na instituição onde trabalha? Vamos debater nos comentários.

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